Se você está pensando em trocar seu HD em um SSD (solid-state drive), aqui vão algumas informações úteis para que você entenda melhor o que está fazendo.

Um SSD é um dispositivo similar ao seu HD convencional. É utilizado para salvar todos os dados que estão no seu sistema operacional, como fotos, músicas, vídeos, programas e assim por diante, no entanto, eles têm tecnologia completamente diferente.

Pra começar, um SSD não tem cabeça de leitura, que é a parte mecânica de um HD convencional responsável por ler e escrever os dados, também não conta com discos magnéticos nem um motor para girar tais discos. Eles utilizam memória flash NAND em um circuito integrado, o que os deixa menores, mais leves, com baixo consumo de energia, altas velocidades de transferência e resistentes a impactos.

Um HD ao lado de um SSD

Um HD ao lado de um SSD

Apesar de tão diferentes, eles vão funcionar da mesma maneira aos olhos de um usuário comum, ou seja, onde tem um HD SATA, você (provavelmente) poderá adicionar um SSD SATA.

Observação: SATA é uma tecnologia de transferência de dados entre um computador e dispositivos de armazenamento em massa, como HDs convencionais e SSDs.

Meu computador vai ficar mais rápido com um SSD?

Em partes, sim!

Quando você liga o computador, o sistema operacional precisa carregar milhares de arquivos até estar pronto para uso, como a leitura e escrita nos SSDs é bem mais rápida do que a de HDs convencionais, o computador irá ligar mais rápido. Além disso, programas que carregam grandes bibliotecas de arquivos, como o Photoshop por exemplo, também irão iniciar mais rápido. Para resumir, apenas leitura e escrita de arquivos terá ganho de desempenho, o resto continuará o mesmo.

Veja algumas situações em que um SSD não fará muita diferença:

  • Renderização/conversão de vídeos – Para renderizar ou converter vídeos, seu computador irá utilizar muita memória RAM, CPU e, algumas vezes, GPU. Nesse caso, pode ser que um SSD e um HD convencional tenham o mesmo desempenho, já que é improvável que ele consiga atingir a velocidade máxima do SSD enquanto renderizando o vídeo.
  • Ganho de frames em jogos – Não, você não terá ganho de frames em seus games favoritos, este é praticamente o mesmo fato da conversão de vídeos. Para isso, é necessário melhorar o processador, a memória RAM e a placa de vídeo também (se possível, também verifique se da pra fazer um upgrade na placa-mãe hehe). O ganho de desempenho conseguido aqui será relacionado apenas com o carregamento inicial do jogo, o resto será o mesmo.
  • Na Internet – Você não vai baixar arquivos mais rápido do que o seu HD poderá escrevê-los no disco, portanto, não existirá alteração de desempenho ao navegar pela Internet. Talvez ao abrir o navegador, mas não na navegação em si.

Veja um vídeo (em inglês) mostrando as vantagens dos SSDs se comparados aos HDs convencionais:

Preciso desfragmentar um SSD?

NUNCA! A desfragmentação foi criada por conta do modo como os HDs convencionais trabalham com os arquivos no disco.

De modo resumido isso funcionaria assim: Quando você grava um arquivo, ele ocupa o espaço necessário para todas as partes desse arquivo em setores do disco. Ao passar do tempo, se você excluir este arquivo, ele não sumirá dos setores em que estava ocupando, seu espaço apenas ficará disponível para que outro arquivo o substitua.

Se o novo arquivo for maior que o antigo, o sistema irá gravar uma parte do novo arquivo no espaço deixado pelo antigo e continuará a gravar o restante em outra parte que também esteja marcada como “livre”.

Imagine isso ocorrendo milhares de vezes ao dia, com o sistema deixando pedaços de arquivos espalhados por várias áreas diferentes do HD! A cabeça de leitura vai a loucura…

Quando você precisar abrir o novo arquivo, a cabeça de leitura do HD terá que ficar se deslocando para todos os setores onde este arquivo foi gravado para conseguir lhe entregar o produto final. Este fato chama-se fragmentação e pode degradar a performance do seu computador com o passar do tempo. Por isso existe a famosa desfragmentação!

Observação: Isso também caracteriza o barulho estranho dos HDs convencionais.

Como os SSDs não têm cabeça de leitura (nem partes mecânicas) não é preciso fazer desfragmentação. Nesse caso, o que podemos fazer é o chamado “TRIM”.

Basicamente, quando você exclui um arquivo utilizando um SSD, este permanece no disco apenas “marcado como excluído”, assim sabe-se que é possível gravar novos arquivos naquele setor. Porém, ao gravar novos arquivos, o sistema utilizará um ciclo para apagar definitivamente os restos de arquivos antigos que estavam ocupando aqueles setores e outro para gravar o novo arquivo. TRIM simplesmente limpa tais setores para que o sistema não tenha que fazer essas duas tarefas, mas apenas a de gravar o novo arquivo.

E a vida útil de SSDs?

A maioria dos fabricantes informa a vida útil dos seus SSDs em TB, por exemplo, “você poderá gravar 64TB em seu SSD”.

Datasheet dos SSDs v300 da Kingston

Datasheet dos SSDs v300 da Kingston

Se você levar isso ao pé da letra, vamos fazer alguns cálculos para saber quanto tempo de vida seu SSD.

Supondo que você seja um heavy user e grava todos os dias cerca de 40GB no seu SSD. Sabendo você tem 64TB de gravação, seu SSD terá aproximadamente 4 anos de vida. Claro que essa conta não funciona assim, alguns sites já provaram que alguns desses SSDs passam dos petabytes (PB) em gravação facilmente sem falhar, mesmo os fabricantes indicando poucos terabytes (TB).

Mas como está “marcado na caixa”, vamos evitar ficar movendo arquivos de um lado pro outro dentro de um SSD, pois isso degrada sua vida útil.

Observação: Os fabricantes costumam disponibilizar programas para leitura da S.M.A.R.T do SSD, assim você poderá saber quanto tempo ele tem de utilização, quanto já foi escrito no disco e muito mais. Vale a pena dar uma conferida no site do fabricante para download da ferramenta.

Dados do SSD que estou utilizando no momento

Dados do SSD que estou utilizando no momento

Tamanho vs preço

Pra quem gosta de salvar tudo o que vê pela frente, um SSD só irá causar problemas. Se você estiver acostumado com o seu HD de 2TB, dê uma analisada no preço de um SSD com o mesmo tamanho. No momento em que este artigo foi escrito, você poderia comprar um HD de 2TB por cerca de R$ 450 reais. Já um SSD com o mesmo tamanho sai pela bagatela de quase 10 mil reais (2.982 dólares).

Se preço for um fato importante pra você, com certeza os SSDs vão dar um susto no seu bolso.

Vantagens vs desvantagens de SSDs

Vantagens:

  • Pequeno e leve;
  • Consumo de energia reduzido. Isso poderá dar mais tempo à bateria de um notebook, por exemplo;
  • Atingem altas velocidades de leitura e escrita;
  • Por não terem partes mecânicas, têm o acesso muito mais rápido;
  • Ajudam programas e o sistema operacional a iniciarem mais rápido;
  • São resistentes a impactos;
  • Resistem a temperaturas mais elevadas;
  • Têm a mesma conexão de HDs convencionais;

Desvantagens:

  • Preço muito elevado;
  • Contém menos espaço do que o de HDs convencionais;
  • Tem o tempo de vida contado em TBW (TeraBytes Written)

Vídeo relacionado

No vídeo abaixo, respondo a pergunta de uma requisição feita pelo nosso canal do Youtube:

Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=xMyYpjdlEXQ

Resumindo

Se você quer mesmo comprar um SSD por agora, recomendo que ele seja pequeno, não tão caro. Por exemplo, um SSD de 120GB lhe daria a possibilidade de instalar o sistema operacional e todos os seus programas favoritos. Mas não se anime tanto, estou dizendo ao pé da letra “apenas o sistema operacional e seus programas”. Quando for salvar dados, como fotos, músicas, vídeos e documentos, procure salvá-los em um HD externo.

Além disso, se você estiver utilizando programas que utilizam pasta temporária, como programas de edição de áudio ou captura de vídeo, verifique se é possível modificar o caminho da pasta temporária para o HD externo, isso lhe dará segurança para que você não escreva tantos dados no SSD (salvando vida útil) e tira o risco de você encher o SSD perdendo o que estava fazendo.